Jornalismo deprimente…

Posted on agosto 28, 2009 por

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Existem leituras que me aborrecem, aliás, muitas leituras me aborrecem, mas existem umas que… Nossa!

Hoje tive o desgosto de ler uma reportagem sobre uma (agora) mulher de 29meninaraptada anos que foi sequestrada há 18 anos, quando tinha apenas 11 anos, encontrada com duas filhas que “teve com o raptor”, ou seja, filhas do estuprador e da vítima.

Além da indignação pelo sequestro e estupro da criança por 18 anos, o que me aborreceu mesmo foi a banalização do caso.

Primeiro o padrasto diz que esperava que ela tivesse sido “bem tratada nesses últimos 18 anos…”

Como alguém que foi sequestrado e estuprado, vivendo em confinamento junto com duas crianças que sempre lembravam os estupros e que não tinham direitos básicos como estudar e sair, pode ter sido bem tratado?!

Parece que as pessoas que têm parentes sequestrados acreditam sofrer mais do que a vítima do sequestro. Preocupam-se com a dor de não saber o que houve, de nunca mais virem a pessoa, etc. Será que esquecem que isso não é nada comparado aos sentimentos da vítima?

E pior, o caso é anunciado assimamericana sequestrada há 18 anos teve dois filhos com sequestrador…”

Sério, parece que a garota resolveu transar com o carinha e engravidar, não foi estupro não, pois se tivesse sido as manchetes seriam “americana sequestrada há 18 anos teve dois filhos do estuprador

Todos entrevistaram a mãe e o padrasto, estavam preocupados principalmente porque ele tinha sido acusado de participar do sequestro, e a mãe pela preocupação desses 18 anos por não saber o que tinha acontecido…

Certo, mas quem é a vítima?! A mãe?! O padrasto?!

Não seria a Jaycce e as duas filhas que nasceram de estupros?

Claro que não! As questões que envolvem uma mãe que teve sua filha desaparecida e o padrasto acusado de ter sequestrado a enteada, e até mesmo da mulher do sequestrador ser cúmplice da monstruosidade, são mais importantes e dramáticas que a saúde mental e física das verdadeiras vítimas.

Ter ficado longe da mãe, uma mulher ser cúmplice de sequestro (só sequestro), um padrasto que se vê livre de uma falsa acusação, parecem ter sido os dramas do caso, e não uma criança ter sido sequestrada e estuprada. E isso me aborrece, muito.

Não tenho compaixão pela mãe e menos pelo padrasto, ela fica toda direcionada a Jaycce e suas duas filhas que foram concebidas através de um crime hediondo.

Mas os jornalistas não concordam comigo, claro.

Ou não sabem escrever… Humm.

Isso me lembra outro deprimente tema, mas deixo-o para outro dia.

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Posted in: Comportamento