Desvendando a Ejaculação Feminina

Posted on novembro 22, 2009 por

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Avisos:

1. Se você já leu o artigoBotão do Prazer já é meio caminho andado, senão, por favor, peço que leia antes deste.

2. As informações que serão expostas neste artigo, que será apenas um resumo, foram pesquisadas em livros, sites e textos científicos nos idiomas inglês e francês de diversos estudiosos, portanto, nada pertence a autora, que, por sinal, não tem formação na área médica. E o objetivo deste artigo é compartilhar essas informações com as mulheres para que se conheçam melhor – e também seus/suas parceiros/as.


Desvendando a Ejaculação Feminina

Há alguns anos, novos estudos comprovaram que na anatomia feminina também existe próstata e que ela é responsável pelo fenômeno da ejaculação feminina, porém, nada disso é novidade, há centenas de anos que médicos e pesquisadores já sabiam da existência dessa reação e como se desencadeava.

A razão pela qual essas informações se perderam foi o desinteresse em investigarem profundamente a próstata feminina, que até bem pouco tempo era conhecida como glândulas parauretrais ou glândulas de Skene - referência ao ginecologista Alexandre Skene, pois acreditava-se que essas glândulas não tinham importância alguma na vida das mulheres e, portanto, não mereciam estudos. Outro fato que acarretou no desinteresse pela ejaculação feminina foi que ela teria sido atribuída à incontinência urinária.

Contudo, isso mudou, a Federative International Committee on Anatomical Terminology - FICAT, reconheceu em uma reunião em Orlando (EUA) em 2001 que o nome correto é próstata feminina por possuir características similares a da próstata masculina, tornando-se, então, errado chamá-la de glândulas de Sleke ou glândulas parauretrais a partir de outubro de 2008, quando da publicação da recente edição de Terminologie Histologique, e também comprovaram ser ela a responsável pelo líquido expelido pela mulher durante o orgasmo – a ejaculação feminina, e que não estava relacionada à incontinência urinária.

Portanto, a ejaculação feminina é um fato, não é uma ação extraordinária, todas somos capazes de ejacular já que possuímos próstata, porém, fatores físicos, e até psíquicos,  podem nos impedir de expelir o líquido produzido por nossa próstata para fora, o que chamamos de ejaculação, sendo então jogado para a bexiga e saindo junto da urina ou ele pode simplesmente escorrer para fora da uretra e se misturar com outros fluídos corporais e a mulher nem notar.

É importante saber que todos produzimos o líquido prostático, mas nem sempre ele sairá em forma de jato – a ejaculação – o que não significará que não saiu, ele pode apenas escorrer pela uretra para fora ou para dentro da bexiga e depois sair com a urina, somente mulheres que não tiveram sua próstata desenvolvida adequadamente que não podem produzir o líquido prostático e, portanto, ejacular, mas não há um número preciso da quantidade de mulheres com esse problema- acredita-se que seja pequeno, pois a próstata é formada antes mesmo de se definir o sexo do bebê.

Essas pesquisas também evidenciaram que existe o polêmico Ponto G e que ele está diretamente ligado à ejaculação feminina, entretanto, não são necessariamente a mesma coisa ou estão no mesmo local, mas acredita-se que estão ligados de alguma forma. Uns dizem que é apenas uma região sensível da própria próstata feminina e não toda ela, outros que é uma região sensível próxima à bexiga, mais para dentro da vagina, contudo, a zona sensível (ponto G) aparece sempre que a próstata incha, ou seja, quando a mulher está excitada.

Sabe-se também que a estimulação do clitóris é muito importante para a ejaculação feminina (apesar de que, somente por esse caminho, é improvável que se chegue a ter uma ejaculação, pois, nesse caso, não há contração dos músculos pélvicos responsáveis pela excreção do líquido produzido pela próstata para fora da uretra), pois através da estimulação clitoriana que a próstata produz ainda mais o líquido que se mistura com os antígeo prostático específico e são eliminados no ápice, quando as paredes vaginais se contraem, junto dos músculos citados. Ou seja, é necessário que a mulher seja estimulada no clitóris ao mesmo tempo que o ponto G para ter uma ejaculação, porém, não é impossivel que ela ejacule apenas com a estimulação do ponto G se ela for orgásmica vaginal (tenha orgasmos apenas com estimulação vaginal), mas a maioria das mulheres não é, elas precisam da estimulação do clitóris para gozar.

É impossivel a mulher urinar durante um orgasmo, pois as contrações do pubococcígeo impedem a saída da urina – o músculo deve estar distendido (relaxado) para que a urina saia.

Antes de tocarmos no ponto de “como estimular-se para ejacular”, é importante que algumas considerações sejam feitas, pois o auto-conhecimento facilitará a vivência da ejaculação, então, vamos voltar ao passado, entender mais como que essa informação se perdeu, vamos saber também onde fica a próstata feminina e como é o processo de produção, armazenamento e ejaculação do líquido – com essas informações, a maneira como chegar lá ficará muito clara.


A Ejaculação Feminina e a Próstata Feminina na História

O que hoje ainda é visto como um mito, a ejaculação feminina, já foi pesquisado e descrito pelo filósofo grego Aristóteles na antiguidade, além de ter sido mencionado em textos de outras culturas, como os rituais tântricos, e no Kamasutra. E em meados do século XVI, o anatomista italiano Realdo Colombo mencionou a ejaculação feminina ao descrever o orgasmo feminino. Porém, nenhum deles citou a próstata feminina ou explicou como a ejaculação ocorria.

Somente o fisiologista e histologista holandês Reinier de Graaf, em 1672, descreveu a próstata feminina e usou esse termo, e também foi o primeiro a tentar explicar a função desse órgão feminino, entretanto, seus estudos não tiveram continuidade pois o médico faleceu um ano após sua descoberta.

O tema só foi discutido novamente duzentos anos após a morte de Graaf pelo ginecologista escocês Alexandre Skene, que publicou seus estudos que identificava a próstata feminina como dois dutos parauretrais que se abriam dos dois lados do orifício da uretra. Foi essa publicação que inibiu o avanço investigatório sobre a próstata feminina, apesar do ginecologista americano Huffman ter expressado estar em desacordo com algumas conclusões de Skene. E foi por causa dessa publicação também, que o nome ficou como glândulas de Skene por causa do médico, ou glândulas parauretrais que foi como o Skene as nomeou.

Outros ginecologistas, urologistas, anatomistas, médicos e sexólogos também se interessaram pela próstata feminina, tendo o professor Rudolf Virchow (1821 – 1902) dado bastante atenção ao órgão e sendo o primeiro a descrever que as glândulas femininas tinham corpos amiláceos (corpora amilacea) que só existiam na próstata masculina. Contudo, o professor também não seguiu com as investigações porque em sua época os estudos sobre as patologias eram predominantes e mais importantes.

Depois disso, nenhum novo estudo foi realizado sobre a próstata feminina, apesar de outros médicos mencionarem a ejaculação feminina como o médico e sexologista Theodoor Velde que publicou em 1926 em seu manual para casamento e, também, o médico e sexologista alemão Ernst Gräfenberg que em 1950 descreveu detalhadamente a ejaculação feminina.

Apesar de, ainda assim, alguns médicos chamarem as glândulas de Skene como próstata feminina, devido às similaridades com a próstata masculina, nenhum deles se aprofundou e conseguiu provar que o nome glândulas era equivocado, até que, com o passar do tempo, quase nenhum pesquisador mostrou interesse pelo tema e, portanto, quis pesquisá-lo. Isso porque a próstata feminina é muito menor que a masculina, e também não causa enfermidades sérias, apenas doenças que não apresentam gravidade e que não estão comprovadas, portanto, não era considerada um problema e apenas um órgão embrionário sem função.

Somente no ano de 2000 que foi comprovado pelo médico MIlan Zaviacic que as mulheres têm próstata, ao descobrir que esta produz a enzima Antígeno Prostático Específico ou PSA (sigla em inglês), mesma enzima produzida pela próstata masculina. Zaviacic também comprovou que a próstata feminina normal de uma mulher adulta é amadurecida pelos estrogênios – hormônio feminino – e o mesmo ocorre com a próstata masculina, sendo que está sofre influência de androgênios – hormônio masculino.

Há contribuição de outros médicos para essa descoberta, que se mostraram mais interessados a partir de 1980 até a presente data e, por isso, poderemos encontrar novos “achados” sobre o tema.


A Próstata Feminina

Na nossa fase embrionária somos todos mulheres, isso quer dizer que o embrião masculino ainda não passou a produzir seus próprios hormônios que lhe definem como homem,  o que ocorre a partir da oitava semana de gestação, e, por isso, a próstata está presente em ambos os sexos, sendo mais desenvolvida nos homens.

É um órgão feminino que forma várias glândulas que faz parte e está dentro da parede da uretra que, por sua vez, está dentro da parede da vagina. Na imagem acima parece que são dois canais afastados, mas não são, suas paredes são “coladas”.

A próstata fica próximo a saída do orifício uretral externo (ver imagem acima), ficando então próximo a entrada da vagina, mas seu tamanho e formato podem variar de mulher para mulher o que torna mais, ou menos, fácil de encontrá-la, senti-la.

Seu tamanho médio em uma mulher adulta é 3,3 cm de comprimento por 1,9 cm de largura com 1,0 cm de altura e pesa cerca de 2.6 g., podendo pesar até 5.2 g. quando estimulada sexualmente, tendo apenas apenas 1/5 do peso da próstata masculina de um homem adulto (23.7g), porém, apesar de menor, possui todos os componentes estruturais da próstata masculina.

Ela tem as funções: exócrina – produção do fluído prostático feminino, e neuroendócrina - produção de serotonina (responsável pela sensação de prazer e bem estar).

A próstata feminina apresenta diferenças conforme a idade da mulher, mostrando assim que ela sofre com a ação do tempo também.


Ejaculação Feminina

É o jato liberado quando uma mulher tem um orgasmo vaginal.

O líquido ejaculado é produzido pela próstata feminina a partir da adolescência, cerca de 30 a 50 ml, e quando a mulher está excitada sexualmente, a próstata de dilata e produz mais líquidos e mais rapidamente, podendo variar de 15 a 200 ml expelido em jato, ou até mais de 400 ml.

Contém no líquido, além do fluído prostático e serotonina, substâncias como a uréia e a creatinina, porém em quantidade irrisória.

O odor e a coloração também variam de acordo com a produção e estimulação, podendo ser mais concentrado, tendo um odor acre e mais viscoso, ou ser claro e sem cheiro, e isso varia de uma ejaculação para a outra numa mesma mulher também.

A ejaculação feminina sai da uretra em forma de jato, mas nem sempre é assim. Ela pode simplesmente escorrer da uretra para fora, misturando-se com outros fluídos, ou para dentro, para a bexiga e saindo depois com a urina.

A mulher tem que estar muito excitada para produzir uma quantidade significativa de líquido para então ejacular e, por isso, a estimulação do clitóris é muito importante, pois a deixará devidamente excitada para que sua próstata inche e fique mais sensível ao toque e, consequentemente, perto de ejacular. Além da questão de poucas mulheres gozarem apenas com a estimulação vaginal.

A ejaculação ocorre quando há contração dos músculos pélvicos - pubococcígeo - o que ocorre quando se tem um orgasmo vaginal, por isso é difícil de se ejacular apenas com estimulação clitoriana, mas há liberação do líquido prostático de qualquer forma, no esquema já mencionado, ou escorre para fora da uretra ou para dentro da bexiga.

É normal a sensação como se fosse urinar quando se está perto de ejacular, pois o líquido se encontra na uretra, mesmo canal pelo qual sai a urina, mas não sairá urina, como já citado, pois os movimentos do músculo pubococcígeo são diferentes em ambos os casos.


Como estimular a próstata feminina


Agora que já se sabe sobre a próstata feminina, onde ela está localizada e como ocorre a ejaculação feminina, vamos querer saber como estimulá-la, não é mesmo?

A forma não é diferente da estimulação do ponto G. Primeiro deve-se estar num local tranquilo e a mulher deve decidir se quer experimentar primeiro sozinha ou com ajuda do(a) parceiro(a), e também se quer explorar a região com os dedos ou com um vibrador (dildo).

Depois, ela deve se estimular através do clitóris para que a região fique inchada e seja mais fácil de se achar a próstata e, a seguir, deve ser introduzido o(s) dedo(s) ou vibrador até achar uma região sensível e saliente e, então, estimular essa região, como lhe convir, até ter o orgasmo.

Lembre-se que o clitóris deverá ser estimulado ao mesmo tempo, pois é mais fácil de se chegar ao orgasmo – quando não a única maneira para algumas mulheres.

Ainda que não se ejacule, a experiência será prazeroza, portanto, não há nada a se perder ao tentar e, caso não consiga na primeira vez que tentar, tente de novo, é sempre bom gozar, certo?


Ejaculando – Vídeo Explicativo (proibido para menores de 18 anos)

Deixo um vídeo que um leitor me enviou quando conversávamos sobre a ejaculação feminina. Nele, mostra na prática o que está aqui, é bem explicativo, então deixo-o para vocês, porém, devo avisar que se trata de nudez e situação sexual explícita e, por isso, não é indicado aos menores de 18 anos e não o veja se estiver em local público, como trabalho, faculdade, etc. Estão avisados.

http://www.redtube.com/15878

Atualização em 06/12

Essa atualização é para falar sobre o vídeo, como pediu Torresmaximus  em seu comentário, e também por algumas perguntas que me fizeram a respeito do vídeo. Não vou traduzir as falas e sim resumir o que acontece no vídeo, caso alguém tenha traduzido todo o vídeo ou tenha ele legendado, ficarei muito grata se me enviar para que eu divulgue aqui.

O rapaz está ensinando como levar sua parceira a ter orgasmos intensos e conseguir ejacular, ele comenta que pode levar semanas ou meses para conseguir uma ejaculação explorando todos os pontos – provavelmente para achar o que a levará a ejaculação, e que a mulher tem que ter senso de humor – provavelmente para “aguentar” todas as possíveis tentativas frustradas, e que o casal estará conectado. Explica que deve-se usar bastante óleo na mão e usar os dois dedos, médio e anelar, e colocar metade deles dentro da vagina e puxá-los para cima, os dedos mindinho e indicador devem servir como apoio, e deve-se por a outra mão sobre a púbis, apenas para apoio e controle. O movimento dos dedos é para cima e para baixo, e não entra e sai.

Vocês devem ter reparado que o rapaz para algumas vezes quando ela tem fortes espasmos, mas ela não chegou a ejacular e então ele prosseguiu e disse que estava perto, até que ela teve um intenso orgasmo e ejaculou.

A reação dela é normal, mas nem todas as mulheres reagem assim ao orgasmo, porém, quanto mais intenso for o orgasmo, mais espasmos involuntários se tem pelo corpo todo e menos controle sobre o corpo se tem, e ele mostrar o rosto dela é para que observássemos como ela ficou “feliz” por causa do orgasmo, e é verdade, com o orgasmo e a ejaculação é liberado a serotonina – que causa a sensação de prazer e bem estar, então, com “altas doses” seguidas liberadas, a mulher fica feliz, relaxada, e o corpo trêmulo dela é por causa dos intensos espasmos provados pelos intensos orgasmos. Ou seja, é normal perdermos a noção do que está ao nosso redor, não termos controle sobre o corpo e ficarmos com espasmos depois de um intenso orgasmo.

A duração também é normal, uma mulher pode gozar por 105 segundos, e os jatos liberados também, percebam que o primeiro foi muito pouco e nos seguintes, quando mais excitada ela estava, aumentou a quantidade do líquido. Acredito que ela já estava excitada antes dele colocar os dedos, pois precisou de pouco tempo para que ela gozasse, provavelmente ela estava excitada e por isso foi fácil achar o ponto, que fica mais saliente quando a mulher está excitada, e levá-la ao orgasmo.

Tem uma parte que ele fala que ela estava perdendo muito líquido, suor e ejaculação, e que era preciso que tomasse água, ou um gatorade da vida, para repor líquido e energia. Ele fala o que tinha no líquido que deu a ela, mas não lembro agora.

No final ela fala que está com vontade de fazer xixi, e ele fala algo como “vejam, ela quer fazer xixi agora, ela sabe a diferença” isso para mostrar que a ejaculação não tem nada a ver com a urina, pois se ela já tivesse urinado ao invés de ejacular, não estaria com vontade de urinar ainda.

E é basicamente isso, espero que tenha sido elucidador.


Adendo

As atrizes de filmes pornográficos que ejaculam abundantemente e sequencialmente forjam a ejaculação. Elas, comumente, ou urinam ou eliminam líquidos previamente injetados na vagina e dizem que é ejaculação. Por isso, curtam os filmes, mas lembrem-se que é de mentira.


Considerações Finais

Agradecimentos ao Thiago (vídeo), à Fernanda (dúvidas)  e ao Pietro (ajuda com tradução) que contribuíram para que esse artigo fosse feito.

Referências

Femina em francês

Sexo Conseil em francês

The Clitoris em inglês

Arquivo em PDF sobre a Próstata Feminina em espanhol

OBS. Eu esqueci de comentar algo… Devido as paredes serem “coladas” que algumas mulheres sexualmente ativas têm infecção urinária – segundo os médicos e, por isso, os médicos recomendam que as mulheres urinem antes e depois das relações sexuais.
Sem muitos detalhes para dar sobre isso, mas achei importante deixar o recado.

Posted in: Sexologia