Cantinho da Éris

Blog com temas variados e atuais.

Sexo Anal II – Anatomia e Psique

Publicado por Daniela em fevereiro 8, 2010

Mais uma vez o sexo anal ganha numa enquete do blog – o que confesso ter me surpreendido, pois acho um tema corriqueiro comparado ao pompoarismo, campeão de buscas no blog, ou BDSM que tem despertado cada vez mais curiosidade nas pessoas. Porém, no final das contas, percebo que justamente por ser mais comum que tenha mais gente interessada em saber mais, seja por ter experimentado e querer saber se há novidades, ou por querer experimentar.

De qualquer forma, espero ajudá-los.

Antes de começarmos, alguns avisos:

1. Peço que leiam o artigo Sexo Anal I – História e Anatomia, se já leu, ótimo!

2. Novamente aviso que não sou formada na área médica. O objetivo deste artigo é apenas informar e ele saiu após muitas pesquisas em sites, livros, artigos em diversos idiomas.

3. Na segunda parte do tema falarei mais detalhadamente sobre a anatomia da região anal e, também, sobre os motivos de uns gostarem enquanto outros detestam só de pensar na prática. Claro que será longo, lamento, e a parte que muitos querem mesmo, um “guia” de como “iniciar” no sexo anal, ficará na última parte, mas será postada em breve – já está até pronta, mas acho importante entenderem outros pontos sobre o tema antes de irem para a “prática”.

4. Vocês encontrarão citações de partes das entrevistas que fiz. Elas servem para que a gente veja como as pessoas pensam a respeito do tema – sexo anal. O objetivo não é denegrir, ou julgar, e nem serve como pesquisa, pois apenas 38 pessoas foram entrevistadas (apenas 25 trechos aparecem aqui), a intenção é mostrar como conceitos antigos ainda vivem.  Deixarei a identidade deles no anonimato, como combinado. Obrigada a todos que participaram e ajudaram a enriquecer este artigo!



Anatomia Anal

Uma sábia pessoa escreveu:

“A anatomia da região anal mostra no ânus dois esfíncteres musculares em forma de anel que circundam o canal anal e que funcionam de formas independentes, onde o esfíncter externo é voluntário – você tem controle dele – e o interno é involuntário – você não tem controle de sua contração; por isso é importante existir uma preliminar antes da penetração.

Médicos afirmam que o ânus é rico em terminações nervosas e que é possível sim sentir prazer no coito anal, e que o psíquico contribui muito para o orgasmo através do ato também.”

Fonte: Sexo Anal I – História e Anatomia por Daniela.

Porém, apesar de correto, faltaram algumas informações importantes que exporei abaixo.

Em ambos os sexos, 1. o ânus é rico em fibras nervosas (terminações nervosas, como no clitóris da mulher e na glande do homem), tornando-se uma zona erógena – o que significa que é normal sentir prazer ao ser estimulado; 2. depois do ânus encontramos os músculos de esfíncter, e os movimentos musculares são os mesmos – esfíncter interno e externo; 3. o canal anal, que vem depois dos músculos de esfíncter, mede em torno de 3 a 5 cm, tem sua primeira porção composta pelo mesmo tecido que o ânus, e o restante por uma membrana mucosa que também é sensível ao toque, e mais sensível à pressão; 4. depois vem o reto, que mede em torno de 12 cm, e é revisto com tecido liso e macio, também suscetível a pressão e penetração, porém, o reto não é reto, ele tem algumas curvas, por isso que é importante ter paciência na hora da penetração, e é o máximo onde a penetração alcança; 5. depois do reto vem o cólon, quase ninguém chega nele, e ele não tem qualquer função sexual, aliás, é nele que fica armazenado as fezes, que só vão para o reto quando você já está pronto para excretá-las, por isso que é quase impossível de uma pessoa ter fezes no reto, talvez tenha apenas resquícios, o que também é difícil, normalmente não fica nada no reto após a defecação. E é aqui que terminam as semelhanças entre ambos os sexo, pois na 6. anatomia anal do homem existe a possibilidade de contato maior com a próstata,  e isso torna a experiência do coito anal diferente para os homens – nas mulheres a próstata se encontra entre a uretra e a vagina, só podendo, então, ser estimulada pelo atrito ocasionado dentro da vagina num ponto específico.

Diferentemente da próstata feminina, a masculina é importante para a reprodução humana, pois é responsável pelo funcionamento de nutrientes para os espermatozóides, e pode ficar doente (câncer de próstata). No entanto,  a próstata masculina é tão sensível ao toque quanto à feminina, podendo ser diretamente estimulada através de fricções no reto (dentro do ânus) ou através do períneo (que se encontra atrás do escroto, na região sem pelo, próximo ao ânus)  e, por isso, chamam esses pontos, que facilitam o contato direto com a próstata, de “Ponto G Masculino” – em referência ao Ponto G Feminino.

Durante uma relação sexual convencional, na qual o homem penetra a parceira (ou parceiro), a próstata masculina é estimulada por contrações do músculo pubococcígeo (que se encontra na parte inferior em ambos os sexos, tendo importância na relação sexual e na excreção da urina e fezes, existindo, inclusive, exercícios para fortalecê-lo) e isso gera prazer ao homem, porém, esse prazer é mínimo quando comparado ao que pode ser sentido quando o homem é estimulado diretamente na próstata (através dos chamados ‘ponto G’).

Portanto, é fato que o sexo anal, fisicamente falando, pode ser prazeroso, para homens ou mulheres, e isso dependerá de fatores psíquicos e da atenção dada à região antes e durante a penetração.  Também fica claro que não é certo afirmar que o prazer sexual anal está associado à homossexualidade, já que a zona anal é erógena em ambos os sexos (homem e mulher) e a homossexualidade (atração sexual por pessoas do mesmo sexo) é uma questão sexual, de preferência sexual ou identidade sexual, e não um fator puramente físico, fisiológico.

Ainda sobre a anatomia da região anal, é importante dizer que o canal anal também é uma região muito vascularizada (muitos vasos sanguíneos) e, portanto, com grande capacidade de absorção – o que significa que bactérias, micróbios, vírus e remédios são rapidamente absorvidos pelo sistema quando entram em contato com o ânus, por isso é muito importante o uso da camisinha no sexo anal – não que no sexo oral ou vaginal não seja importante, pois é e muito, mas as chances de contaminação por DST’s através da relação sexo anal são maiores do que nas outras duas práticas. Além disso, por ser uma região vascularizada, o ânus pode sofrer fissuras facilmente e também ter algum de seus vasos dilatados (doença hemorroidária, vulgarmente conhecida como hemorróida – sendo que este não é o nome da doença e sim de cada veia do canal anal) que pode ser acompanhada ou não de inflamação, hemorragia ou trombose (entupir). Contudo,  o coito anal não provoca a doença, mas pode piorar o quadro de uma pessoa que a tenha.

Quando uma pessoa é estimulada em seu ânus (carícias, beijos), quando a pessoa fica excitada e o canal anal irrigado de sangue, este se distende (dilata-se), por isso, somente quando uma pessoa está excitada e devidamente estimulada na região anal será capaz de permitir a penetração, pois, caso ela não tenha sido estimulada, não há a dilatação, dificultando, assim,  a penetração e causando dor na tentativa – o que pode deixar a pessoa ainda mais tensa e impedir que o sexo anal ocorra.

Cuidado: Apesar de a região anal permitir uma dilatação, não chega a ser como a vagina, por isso, não é aconselhável a introdução de objetos grandes – seja grande em grossura (pois há um limite de dilatação), seja grande em comprimento (pois podem gerar lesões ou até perfurações no reto, ocasionando a morte do indivíduo). Essa prática, de introdução de objetos fálicos no ânus, é comum entre os homens, sejam estes heterossexuais ou homossexuais segundo a Revista Brasileira de Coloproctologia. Há, também, casos registrados de incontinência anal (dificuldade de retenção das fezes) em ambos os sexos, porém, com homens homossexuais as ocorrências são maiores.  A incontinência anal ocorre devido à perda da sensibilidade por causa da prática de introdução frequentes de objetos cada vez mais grossos no ânus, esquecendo que esse órgão é como um anel e que possui um limite de dilatação.


Anatomia Feminina

Anatomia Masculina


Psique Sexual – Comportamento Humano

Bem, com todas as considerações em relação à anatomia da região anal feitas, podemos partir para outro tema importante relacionado ao sexo anal: a psique sexual, o comportamento das pessoas em relação ao sexo anal. Talvez isso nos ajude a compreender o porquê de algumas pessoas terem resistência ao coito anal, enquanto outras possuem fixação pelo tema.

Nós criamos muita expectativa sobre o sexo anal, queríamos muito fazer (…) Fizemos como manda o figurino, mas nos decepcionamos, não era isso tudo! (…) Preferimos mil vezes a vagina e a masturbação… L., 24 anos, mulher, heterossexual e R. 25 anos, homem, heterossexual

Segundo Sigmund Freud, os seres humanos descobrem o ânus entre seu primeiro e terceiro ano de vida – muitos o descobrem antes mesmo de ter consciência de seu órgão sexual (principalmente as mulheres por terem a vagina “escondida”). A descoberta ocorre quando estamos na fase de aprender a controlar nosso esfíncter externo, e essa aprendizagem vem associada a intensos impulsos agressivos – em alguns indivíduos pode provocar impulsos sádicos também, tudo isso por causa da difícil tarefa de dominar as idas ao banheiro, trazendo independência, porém, ao mesmo tempo e contraditoriamente, causando receio dessa separação com os pais (já que eles trocam as fraldas). Essa “luta” pelo controle do próprio esfíncter, poder reter as fezes ou expulsá-las, gera uma satisfação sexual na criança, o que Freud chamou de “erotismo anal”.

Freud também afirmava que alguns comportamentos surgiam na fase anal derivados do erotismo anal e das defesas contra o mesmo, como, por exemplo, regularidade, teimosia, voluntariedade, frugalidade e parcimônia, seriam traços de um caráter anal derivados de uma fixação anal, dos que queriam dominar as defesas contra o erotismo anal. Já nos indivíduos que teriam suas defesas menos eficazes contra o erotismo anal, os traços seriam de elevada ambivalência, desordem, desafio, cólera e tendências sadomasoquistas. Todos apresentados como patologia.

Eu acho que quem curte sexo anal é masoquista, tem algum problema psicológico grave. Deve ter comido cocô quando pequeno, só pode. Jamais farei isso.  T., 22 anos, mulher, heterossexual

Não foi apenas Freud que associou o erotismo anal com uma doença ou comportamentos negativos, vários psiquiatras e estudiosos chegaram a afirmar que o erotismo anal seria um sintoma da esquizofrenia, que homens que se masturbavam com objetos no ânus sofriam de psicose, e essas teorias ainda são afirmadas por alguns médicos nos dias atuais.

Meu namorado já me pediu, mas eu acho errado, porque é sujo. Não tenho coragem de fazer isso! (…) Mas se a pessoa gosta, né? Cada um com sua loucura… F.,  27 anos, mulher, heterossexual

As referências negativas ligadas ao ânus não param por aí. Desde pequenos somos educados a achar que nosso ânus é sujo, que devemos nos envergonhar de nossa condição de “defecadores”. Isso ocorre, principalmente, na fase do ‘desfraldamento’, quando nossos pais associam nossas fezes a termos ruins ( “que porcaria”, “que sujeira” ,”que nojo”, “olha o que você fez?”)  para que assim aprendamos a ir ao banheiro ao invés de defecarmos nas fraldas – ou na calcinha/cueca, quando ainda se está na fase de aprender a controlar as idas ao banheiro.

Eu nunca quis experimentar o sexo anal, porque sempre considerei algo sujo, pois lá (ânus) é um lugar sujo, de saída do que não presta no organismo, e não vejo como pode existir gente que sinta qualquer prazer lá… Jamais pediria para uma namorada me deixar tentar, e jamais farei se uma namorada pedir. B., 23 anos, homem, heterossexual

Que horror só de imaginar! Não quero nada entrando na minha saída! É nojento! A., 19 anos, mulher, homossexual

Eu tenho muita vontade de fazer, mas minha namorada não quer, ela acha sujo, eu também acho, mas a vontade de experimentar é maior. V., 22 anos, homem, heterossexual

Além de pais e médicos com visões negativas a respeito do ânus, temos também na religião uma nova formadora de resistência quanto ao sexo anal. Através de trechos retirados da Bíblia, muitos pregam (no presente porque ainda o fazem) que a homossexualidade é pecado, tendo, inclusive, uma história relatada sobre Sodoma e Gomorra, da qual surgiu o termo sodomia para nomear a prática do sexo anal, que foi queimada devido à prática de sodomia, entre outras perversidades. Primeiramente a sodomia se referia ao sexo anal apenas entre dois homens, homossexualismo, porém, mais tarde passou a designar o coito anal entre quaisquer sujeitos que o praticassem. E assim seguiram-se séculos de perseguição aos homossexuais e também punições, mais brandas, para casais heterossexuais que fossem descobertos praticando-o, pois de pecado virou crime, no qual em muitos locais redimia-se apenas com a morte. Mas o que também contribuiu para isso foi o fato de acharem errado qualquer forma de sexo que não tivesse como objetivo a procriação, como o sexo anal, a masturbação, etc.

É estranho que cada vez mais pessoas se interessem por isso quando sabem que é pecado, está escrito na Bíblia! Quem acredita na verdade das palavras da Bíblia jamais praticará um ato desses. Espero que as pessoas vejam isso antes que seja tarde demais. J., 26 anos, homem, heterossexual

Eu sou virgem e acredito na palavra do Senhor, então, mesmo depois de casada, não irei profanar meu corpo dessa forma, e meu noivo concorda comigo (…)  Sexo é para procriação, diferente disso, é pecado. L., 19 anos, mulher, heterossexual

Acho sexo anal algo depreciativo para mulheres, sabe, a posição, o homem como um animal ali (…) Não tenho qualquer curiosidade em experimentar. I., 21 anos, mulher, bissexual

Outro fator que contribuiu para que muitos achassem que sexo anal é errado, algo pervertido, foi a nossa cultura machista. As únicas mulheres que permitiam a prática eram as prostitutas, e ainda assim as mais ousadas, pois poucas se submetiam à prática, e apenas homens homossexuais que gostavam de ter seu ânus acariciado. Havia também o pensamento de que as mulheres foram feitas apenas para serem penetradas e os homens para serem os “penetradores”, devido à supervalorização do pênis – sinal de hombridade e fertilidade, e então se criou a mentalidade de que os homens jamais poderiam gostar de uma situação tão degradante, a de ser penetrado, denotando, assim, o que achavam da figura feminina e dos homens homossexuais.

Me desculpe quem goste, mas eu acho mó coisa de puta e de viadinho, eu não como cú e nem deixo mulher alguma mexer no meu, sério, acho que daria um soco numa mulher que tentasse. F., 29 anos, homem, heterossexual

Olha, eu acho que é normal fazer isso em mulher e tal, variar, apimentar a relação, mas jamais deixaria fazerem em mim, isso é coisa de gay (…) nada contra se eles gostam, mas no meu não! R. 19 anos, homem, heterossexual

A visão de que mulheres apenas serviam para procriação, que seu papel era secundário na sociedade, de que apenas prostitutas gostavam de sexo e a repressão sexual feminina, também contribuíram, e muito, para que o sexo, não apenas o anal, fosse um tabu durante muito tempo, e que até hoje, apesar de muitas quebras, ainda o é, mesmo que em menor grau ou mais ‘na sombra’.

Eu já fiz sexo anal, mas só porque meu namorado queria, e nem doeu como eu achei que doeria, mas não gostei, me senti estranha fazendo aquilo (…) Só faço quando ele insiste muito para fazermos .. V., 19 anos, mulher, heterossexual

Também temos o problema da falta de preparo do casal na hora de experimentar o sexo anal, e, assim, causando dor na parceira (o), fazendo com que esta não queira mais experimentar… mas isso é facilmente contornável, basta estudar, ter paciência e querer.

Eu já fiz, mas doeu muito! Foi terrível! E nós seguimos as dicas que achamos na internet e de amigos, sabe? Mas não quero mais não e meu marido já desistiu de tentar. F., 32 anos, mulher, heterossexual

Eu tentei, mas doeu demais, arde muito (…) Mas talvez tenha sido por meu ex-namorado ser meio ogro, apressado (…) quem sabe tente com um novo namorado, eu queria muito experimentar e gostar! P., 23 anos, mulher, heterossexual

Apesar de todas as contribuições negativas, algumas pessoas foram quebrando os parâmetros consagrados, questionando os valores dogmáticos, buscando respostas para os mitos, rebelando-se contra o machismo e o patriarcado, além dos avanços da ciência, chegando então a uma evolução, até que chegamos ao ponto de que o sexo anal não é mais um tabu entre casais heterossexuais, não é uma prática de putas, e alguns homens descobriram que o ânus é uma região que pode lhe dar prazer e que isso não lhe torna homossexual, e a sodomia deixou de ser crime, apesar de ter gente queimando homossexuais ainda! Claro que são “inícios”,  sei que muitas pessoas não concordarão com esse texto, algumas até acharão ofensivo, pois ainda pensam como há séculos, mas não vamos falar delas, não quero desrespeitá-las e sim “ajudar” aqueles que têm interesse no tema.

Eu fiz e curti, só o que posso te dizer… T., 34 anos, mulher, heterossexual

Minha namorada e eu já experimentamos e gostamos. No início tínhamos receio, por experiências mal sucedidas anteriores, mas conseguimos achar nosso jeito e tudo ficou ótimo. A., 25 anos, mulher, homossexual

Talvez agora alguns já tenham entendido por que muitos ainda não suportam a ideia do sexo anal, mas ainda existe um fator que não mencionei e que é extremamente importante – o mais importante devo dizer: gosto pessoal. Sim, existem pessoas que não ligam para religiões, são resolvidas sexualmente, até acham legal a prática anal, mas não gostam de fazer sexo anal. E aqui cabe o respeito, o mesmo de quando não gostamos de algo, pois forçar ou chantagear para obter sexo anal, ou qualquer coisa, é errado, não é respeito, e eu espero que você se dê muito mal se tentar forçar alguém ou chantagear para conseguir o que deseja. Você pode dialogar sobre o tema, tentar mostrar que não é algo sujo, não é errado, não faz mal a saúde, que existem formas de se fazer para que não doa, no entanto, se ainda assim a pessoa se recusar, respeite-a.

Eu fiz, porque estava muito a fim mesmo, e meu namorado também. (…) A gente leu sobre o tema, perguntei a minha ginecologista quais cuidados ter e compramos os apetrechos, seguimos todas as dicas dos dedinhos… Nós fizemos, foi legal, não doeu muito, mas eu não gostei, sei lá, não acho errado, nem dada, queria muito fazer, e até senti certo prazer, mas não gostei, não faço questão de fazer de novo e me irrita quando meu namorado fica insistindo… B., 27 anos, mulher, heterossexual

Eu fiz porque meu namorado insistiu em fazer, eu não queria e doeu, mas pelo menos ele não insiste mais… F., 18 anos, mulher, heterossexual

Não há muito o que buscar sobre o porquê do tema ser tão atraente nos dias atuais, apenas teorizar e escrever o que escuto/escutei de homens e mulheres com quem conversei sobre o tema, além de médicos e psicólogos, então lhes deixo alguns pontos que tornam o sexo anal uma prática cada vez mais ‘requisitada’, e não estão em ordem de maior ou menor motivo:

Eu adoro sexo anal, faço há anos! (…) De início não foi muito agradável, mas depois de um tempo, e de praticar, passei a adorar… Às vezes acho que prefiro sexo anal ao vaginal… B., 29 anos, mulher, heterossexual

Eu gosto da sensação de estar dominando a mulher, é algo bem selvagem (…) Não há sensação melhor! E., 24 anos, homem, heterossexual

Eu adoro dar prazer ao meu namorado dessa forma (…) Vê-lo se contorcendo embaixo de mim é algo incrível! (…) Não, eu não curto que ele faça em mim, não gosto de ser passivo… P., 23 anos, homem, homossexual

Eu gosto muito de sexo anal, mas minha namorada não curte tanto e fico frustrado com isso. Já não sei mais o que fazer ou dizer para que ela perca o receio de fazer (sexo anal) comigo. (…) Às vezes penso em fazê-lo na rua… A., 20 anos, homem, heterossexual

Durante muitos anos, minha mulher e eu praticamos o sexo anal, nela, até que um dia resolvemos inovar e inverter os papéis… Eu gostei de ter meu ânus estimulado, é prazeroso, e com o tempo fui derrubando as barreiras que tinha sobre o tema, até o ponto de tentarmos algo ‘maior’. (…) Acredito que um casal deva se permitir descobrir coisas novas entre eles. Novas formas de dar e receber prazer. Deve haver essa confiança, cumplicidade. (…) Tenho certeza que me apaixonei ainda mais por ela, e ela por mim, quando fomos ficando cada vez mais íntimos e livres das amarras que a nossa cultura nos impõe. H., 39 anos, homem, heterossexual

Na primeira vez em que fiz, eu era novo e o carinha também, então doeu muito, foi sem preparo e estava nervoso, mas depois de um tempo conheci um outro cara que me preparou antes, e percebi que não mentiam quando diziam que era bom, pois é muito bom (…) Já gozei apenas com a penetração (…) Hoje prefiro ser o “passivo” das minha relações, apesar de ser o “ativo” de vez em quando também. R., 20 anos, homem, homossexual

- Experimentar algo novo;

- Apimentar a relação;

- Sensação de estar quebrando um tabu, fazendo algo proibido;

- Sensação de estar no controle, ter poder sobre a pessoa que está sendo penetrada;

- Sensação de que é “o cara”, ao ser permitido tirar a virgindade anal de uma mulher;

- Adoração pelas nádegas;

- Sente prazer com a estimulação anal;

- Achar que é um sexo mais selvagem;

- Uma prática sexual a mais é sempre bem vinda;

- Experimentou e gostou;

- Transgressão religiosa;

- O ânus é mais apertado que a vagina;

- Premiar o namorado;

- Apenas mais uma forma de dar e sentir prazer;

- Sensação de estar passando para outro nível no relacionamento;

- Uma prática sexual normal que deve ser explorada também;

- Dar prazer a (ao) parceira (o);

- Insistência do parceiro.

Eu curto muito sexo anal, mas meu atual namorado não gosta, aliás, detesta, e eu fico frustrada com isso, ele diz que não tem nada contra, apenas que não gosta, vai entender. C., 29 anos, mulher, heterossexual

A maioria das mulheres faz sexo anal com parceiro fixo, depois de um bom tempo de relacionamento, e acredita que está “premiando”  o namorado ao lhe permitir ter sexo anal, uma espécie de barganha: “seja bom comigo que te dou ele”.

Muitas gostam, porém, poucas admitem. Veem como atestado de puta, e por isso não fazem sempre.

Algumas gostam por parecerem transgressoras.

Outras simplesmente experimentaram e gostaram muito.

Muitas, muitas, fazem apenas porque o parceiro quer, e entre estas, a maioria não curte.

Algumas querem fazer o sexo anal, mas não sabem como falar com os namorados, pois ficam com medo de que interpretem mal.

Muitas mulheres resistem ao sexo anal por medo da dor.

Os homens insistem mais na relação sexual anal. Principalmente por acharem que é um local mais apertado que a vagina e, portanto, mais prazeroso, pois sentirá mais a pressão na glande. Além disso, eles acreditam que a namorada ao aceitar fazer sexo anal significa que ela confia, pois ela não faria isso com qualquer um.

Quase todas as relações de sexo anal, numa primeira vez entre um casal,  foram iniciadas pelo homem.

Alguns homens homossexuais não curtem que o ânus seja tocado.

Mulheres homossexuais gostam de praticar a masturbação anal.

A maioria dos homens heterossexuais da cultura ocidental acredita que estará sendo “rebaixado” de seu papel de dominante ao deixar sua parceira acariciar seu ânus. Também acreditam que é uma prática apenas homossexual. Porém, muitos dos que dizem não gostar já acariciaram o ânus, e até experimentaram colocar um dedo dentro do ânus, e gostaram da sensação, mas nunca admitiriam.

Já na cultura oriental, a prática de estimulação da próstata pelo ânus é normal.

Fontes:

Nova Brasil

Wikipedia

Artes Sensuais

The Clitoris (inglês)

Femina (francês)

Livro Mitos e Tabus da Sexualidade Humana de Jimena Furlani

Semana que vem:

Sexo Anal III – Cuidados e Guia


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Cinderelas, Lobos e Um Príncipe Encantado

Publicado por Daniela em janeiro 29, 2010


Cinderelas, Lobos e um Príncipe Encantado é o nome do documentário feito pelo diretor Joel Zito Araújo, que tive a oportunidade de conferir há pouco tempo.

Joel Zito Araújo mostra, em seu documentário, um dos maiores problemas sociais que sofremos: o turismo sexual. E aborda a prostituição de crianças e adolescentes nesse turismo sexual que vivemos, principalmente no norte e no nordeste brasileiros, além do fato da maioria das crianças e adolescentes envolvidas ser pobre e negra/mulata.

“O meu filme não é somente sobre exploração sexual de crianças e adolescentes no nordeste. A temática central é o universo do turismo sexual. Minha intenção inicial era entender os imaginários dos homens estrangeiros que veem fazer turismo sexual no Brasil e das mulheres e jovens brasileiras que são objetos do desejo dos ´gringos’. Entretanto, percebi que a exploração sexual de crianças e adolescentes, junto com o tráfico de seres humanos, são as maiores sombras deste mundo.

Não poderia tocar em assunto tão sério como esse sem abordar tais temas. Mas, a exploração de crianças e adolescentes é um problema de todas as regiões e é, digamos assim, muito ‘democrático’ no perfil dos exploradores. Acontece nas famílias ricas e pobres, nos centros urbanos, no interior e litoral do país, no litoral. As crianças e adolescentes seduzidas e exploradas são oriundas da pobreza e da classe média baixa, de famílias desestruturadas pelo desemprego.

São crianças que, em sua maioria, sofrem o primeiro abuso dentro de casa, algumas vezes nas mãos do próprio pai”  Joel Zito Araújo

É importante que trabalhos como esse sejam feitos no Brasil, pois é uma forma de mostrarmos que não estamos satisfeitos de como as coisas andam. O Brasil não quer ser o país do tursimo sexual, da exploração infantil, somos muito mais do que isso e não nos orgulhamos dessas barbaridades, ao contrário, queremos que elas acabem.

Assitam ao documentário, vale a pena.

Deixo o trailer para vocês.

Fontes:

http://oglobo.globo.com/blogs/docblog/post.asp?cod_post=128600“ >

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É Natal… lalalá

Publicado por Daniela em dezembro 24, 2009

O Natal sempre nos lembra que o ano está no fim, um novo vai começar, e essa época é sempre a mais corrida e a mais animada. Eu fico sempre mais animada! Então precisava deixar um recado em meu Cantinho para os meus leitores.

Eu sei que todo tipo de gente lê o meu blog, e isso me deixa contente, e para todos vocês que acompanham sempre, esporadicamente ou raramente o blog, eu desejo um maravilhoso Natal. Não importa o por quê de vocês o comemorem, sabemos que hoje essa data significa diversas coisas, mas acredito que é importante nos reunirmos com a família e agradecermos o que tivermos que agradecer, a quem tivermos que agradecer.

Lembrem-se que falta uma semana para que o ano termine, e é momento de rever onde vocês estão e aonde querem chegar – não que tudo vá se resolver somente porque vocês refletiram sobre essas coisas, mas esse é o primeiro passo, e é sempre bom acreditar que teremos uma renovação, mas não é o novo ano que a traz, e sim as medidas que decidirmos tomar nesse ano novo.

Obrigada a todos que visitam o Blog, deixam recado, mandam e-mail, ou comentam por msn.

Fiquem em paz, divirtam-se com seus familiares, amores e amigos, tenham um excelente natal!

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Recados:

Encerrei a enquete “Agora você quer ler sobre…”.

Ela ficou quase um mês “no ar” e 27 pessoas votaram, sendo o tema  ”Sexo Anal” vencedor com quase metade dos votos – que já estava devendo, por sinal, e que já está quase finalizado, porém, com essa correria de final de ano, não sei se vou postar em 2009, mas em janeiro no máximo irei publicar – e prometo caprichar para compensar a demora.

No lugar da antiga enquete, há uma nova com o tema “Tempo de mudanças… O que deseja para o Cantinho da Éris?”


Vocês podem votar em até três opções, e podem deixar um comentário depois de votar. Eu quero saber o que desejam para ver se coincide com as mudanças que desejo fazer aqui. A enquete ficará “no ar” até o dia 20/01/2010.

Conto com vocês!

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Lute contra a Aids!

Publicado por Daniela em dezembro 1, 2009

Hoje é o dia Internacional da Luta contra a Aids, e eu, como não poderia deixar passar em branco, separei alguns textos sobre o tema para vocês.

Meus:

“Bota a camisinha, bota, meu amor”

HIV/Aids no Brasil

Terceiros:

AIDS por Fernanda Sodelli

Discriminação do empregado portador da AIDS por Mariana M Moreira

Wikipédia

Site Importante

Aids.gov.br

Não estrague sua vida sexual por causa de uma única transa sem camisinha -transe com camisinha sempre!

Não importa qual a sua orientação sexual ou estado civil, é a sua vida que está em jogo.

E lembrem-se: temos que lutar contra a Aids e não contra os aidéticos - acabem com mais essa discriminação.

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Desvendando a Ejaculação Feminina

Publicado por Daniela em novembro 22, 2009

Avisos:

1. Se você já leu o artigo Botão do Prazer já é meio caminho andado, senão, por favor, peço que leia antes deste.

2. As informações que serão expostas neste artigo, que será apenas um resumo, foram pesquisadas em livros, sites e textos científicos nos idiomas inglês e francês de diversos estudiosos, portanto, nada pertence a autora, que, por sinal, não tem formação na área médica. E o objetivo deste artigo é compartilhar essas informações com as mulheres para que se conheçam melhor – e também seus parceiros.


Desvendando a Ejaculação Feminina

Há alguns anos, novos estudos comprovaram que na anatomia feminina também existe próstata e que ela é responsável pelo fenômeno da ejaculação feminina, porém, nada disso é novidade, há centenas de anos que médicos e pesquisadores já sabiam da existência dessa reação e como se desencadeava.

A razão pela qual essas informações se perderam foi o desinteresse em investigarem profundamente a próstata feminina, que até bem pouco tempo era conhecida como glândulas parauretrais ou glândulas de Skene - referência ao ginecologista Alexandre Skene, pois acreditava-se que essas glândulas não tinham importância alguma na vida das mulheres e, portanto, não mereciam estudos. Outro fato que acarretou no desinteresse pela ejaculação feminina foi que ela teria sido atribuída à incontinência urinária.

Contudo, isso mudou, a Federative International Committee on Anatomical Terminology - FICAT, reconheceu em uma reunião em Orlando (EUA) em 2001 que o nome correto é próstata feminina por possuir características similares a da próstata masculina, tornando-se, então, errado chamá-la de glândulas de Sleke ou glândulas parauretrais a partir de outubro de 2008, quando da publicação da recente edição de Terminologie Histologique, e também comprovaram ser ela a responsável pelo líquido expelido pela mulher durante o orgasmo – a ejaculação feminina, e que não estava relacionada à incontinência urinária.

Portanto, a ejaculação feminina é um fato, não é uma ação extraordinária, todas somos capazes de ejacular já que possuímos próstata, porém, fatores físicos, e até psíquicos,  podem nos impedir de expelir o líquido produzido por nossa próstata para fora, o que chamamos de ejaculação, sendo então jogado para a bexiga e saindo junto da urina ou ele pode simplesmente escorrer para fora da uretra e se misturar com outros fluídos corporais e a mulher nem notar.

É importante saber que todos produzimos o líquido prostático, mas nem sempre ele sairá em forma de jato – a ejaculação – o que não significará que não saiu, ele pode apenas escorrer pela uretra para fora ou para dentro da bexiga e depois sair com a urina, somente mulheres que não tiveram sua próstata desenvolvida adequadamente que não podem produzir o líquido prostático e, portanto, ejacular, mas não há um número preciso da quantidade de mulheres com esse problema- acredita-se que seja pequeno, pois a próstata é formada antes mesmo de se definir o sexo do bebê.

Essas pesquisas também evidenciaram que existe o polêmico Ponto G e que ele está diretamente ligado à ejaculação feminina, entretanto, não são necessariamente a mesma coisa ou estão no mesmo local, mas acredita-se que estão ligados de alguma forma. Uns dizem que é apenas uma região sensível da própria próstata feminina e não toda ela, outros que é uma região sensível próxima à bexiga, mais para dentro da vagina, contudo, a zona sensível (ponto G) aparece sempre que a próstata incha, ou seja, quando a mulher está excitada.

Sabe-se também que a estimulação do clitóris é muito importante para a ejaculação feminina (apesar de que, somente por esse caminho, é improvável que se chegue a ter uma ejaculação, pois, nesse caso, não há contração dos músculos pélvicos responsáveis pela excreção do líquido produzido pela próstata para fora da uretra), pois através da estimulação clitoriana que a próstata produz ainda mais o líquido que se mistura com os antígeo prostático específico e são eliminados no ápice, quando as paredes vaginais se contraem, junto dos músculos citados. Ou seja, é necessário que a mulher seja estimulada no clitóris ao mesmo tempo que o ponto G para ter uma ejaculação, porém, não é impossivel que ela ejacule apenas com a estimulação do ponto G se ela for orgásmica vaginal (tenha orgasmos apenas com estimulação vaginal), mas a maioria das mulheres não é, elas precisam da estimulação do clitóris para gozar.

É impossivel a mulher urinar durante um orgasmo, pois as contrações do pubococcígeo impedem a saída da urina – o músculo deve estar distendido (relaxado) para que a urina saia.

Antes de tocarmos no ponto de “como estimular-se para ejacular”, é importante que algumas considerações sejam feitas, pois o auto-conhecimento facilitará a vivência da ejaculação, então, vamos voltar ao passado, entender mais como que essa informação se perdeu, vamos saber também onde fica a próstata feminina e como é o processo de produção, armazenamento e ejaculação do líquido – com essas informações, a maneira como chegar lá ficará muito clara.


A Ejaculação Feminina e a Próstata Feminina na História

O que hoje ainda é visto como um mito, a ejaculação feminina, já foi pesquisado e descrito pelo filósofo grego Aristóteles na antiguidade, além de ter sido mencionado em textos de outras culturas, como os rituais tântricos, e no Kamasutra. E em meados do século XVI, o anatomista italiano Realdo Colombo mencionou a ejaculação feminina ao descrever o orgasmo feminino. Porém, nenhum deles citou a próstata feminina ou explicou como a ejaculação ocorria.

Somente o fisiologista e histologista holandês Reinier de Graaf, em 1672, descreveu a próstata feminina e usou esse termo, e também foi o primeiro a tentar explicar a função desse órgão feminino, entretanto, seus estudos não tiveram continuidade pois o médico faleceu um ano após sua descoberta.

O tema só foi discutido novamente duzentos anos após a morte de Graaf pelo ginecologista escocês Alexandre Skene, que publicou seus estudos que identificava a próstata feminina como dois dutos parauretrais que se abriam dos dois lados do orifício da uretra. Foi essa publicação que inibiu o avanço investigatório sobre a próstata feminina, apesar do ginecologista americano Huffman ter expressado estar em desacordo com algumas conclusões de Skene. E foi por causa dessa publicação também, que o nome ficou como glândulas de Skene por causa do médico, ou glândulas parauretrais que foi como o Skene as nomeou.

Outros ginecologistas, urologistas, anatomistas, médicos e sexólogos também se interessaram pela próstata feminina, tendo o professor Rudolf Virchow (1821 – 1902) dado bastante atenção ao órgão e sendo o primeiro a descrever que as glândulas femininas tinham corpos amiláceos (corpora amilacea) que só existiam na próstata masculina. Contudo, o professor também não seguiu com as investigações porque em sua época os estudos sobre as patologias eram predominantes e mais importantes.

Depois disso, nenhum novo estudo foi realizado sobre a próstata feminina, apesar de outros médicos mencionarem a ejaculação feminina como o médico e sexologista Theodoor Velde que publicou em 1926 em seu manual para casamento e, também, o médico e sexologista alemão Ernst Gräfenberg que em 1950 descreveu detalhadamente a ejaculação feminina.

Apesar de, ainda assim, alguns médicos chamarem as glândulas de Skene como próstata feminina, devido às similaridades com a próstata masculina, nenhum deles se aprofundou e conseguiu provar que o nome glândulas era equivocado, até que, com o passar do tempo, quase nenhum pesquisador mostrou interesse pelo tema e, portanto, quis pesquisá-lo. Isso porque a próstata feminina é muito menor que a masculina, e também não causa enfermidades sérias, apenas doenças que não apresentam gravidade e que não estão comprovadas, portanto, não era considerada um problema e apenas um órgão embrionário sem função.

Somente no ano de 2000 que foi comprovado pelo médico MIlan Zaviacic que as mulheres têm próstata, ao descobrir que esta produz a enzima Antígeno Prostático Específico ou PSA (sigla em inglês), mesma enzima produzida pela próstata masculina. Zaviacic também comprovou que a próstata feminina normal de uma mulher adulta é amadurecida pelos estrogênios – hormônio feminino – e o mesmo ocorre com a próstata masculina, sendo que está sofre influência de androgênios – hormônio masculino.

Há contribuição de outros médicos para essa descoberta, que se mostraram mais interessados a partir de 1980 até a presente data e, por isso, poderemos encontrar novos “achados” sobre o tema.


A Próstata Feminina

Na nossa fase embrionária somos todos mulheres, isso quer dizer que o embrião masculino ainda não passou a produzir seus próprios hormônios que lhe definem como homem,  o que ocorre a partir da oitava semana de gestação, e, por isso, a próstata está presente em ambos os sexos, sendo mais desenvolvida nos homens.

É um órgão feminino que forma várias glândulas que faz parte e está dentro da parede da uretra que, por sua vez, está dentro da parede da vagina. Na imagem acima parece que são dois canais afastados, mas não são, suas paredes são “coladas”.

A próstata fica próximo a saída do orifício uretral externo (ver imagem acima), ficando então próximo a entrada da vagina, mas seu tamanho e formato podem variar de mulher para mulher o que torna mais, ou menos, fácil de encontrá-la, senti-la.

Seu tamanho médio em uma mulher adulta é 3,3 cm de comprimento por 1,9 cm de largura com 1,0 cm de altura e pesa cerca de 2.6 g., podendo pesar até 5.2 g. quando estimulada sexualmente, tendo apenas apenas 1/5 do peso da próstata masculina de um homem adulto (23.7g), porém, apesar de menor, possui todos os componentes estruturais da próstata masculina.

Ela tem as funções: exócrina – produção do fluído prostático feminino, e neuroendócrina - produção de serotonina (responsável pela sensação de prazer e bem estar).

A próstata feminina apresenta diferenças conforme a idade da mulher, mostrando assim que ela sofre com a ação do tempo também.


Ejaculação Feminina

É o jato liberado quando uma mulher tem um orgasmo vaginal.

O líquido ejaculado é produzido pela próstata feminina a partir da adolescência, cerca de 30 a 50 ml, e quando a mulher está excitada sexualmente, a próstata de dilata e produz mais líquidos e mais rapidamente, podendo variar de 15 a 200 ml expelido em jato, ou até mais de 400 ml.

Contém no líquido, além do fluído prostático e serotonina, substâncias como a uréia e a creatinina, porém em quantidade irrisória.

O odor e a coloração também variam de acordo com a produção e estimulação, podendo ser mais concentrado, tendo um odor acre e mais viscoso, ou ser claro e sem cheiro, e isso varia de uma ejaculação para a outra numa mesma mulher também.

A ejaculação feminina sai da uretra em forma de jato, mas nem sempre é assim. Ela pode simplesmente escorrer da uretra para fora, misturando-se com outros fluídos, ou para dentro, para a bexiga e saindo depois com a urina.

A mulher tem que estar muito excitada para produzir uma quantidade significativa de líquido para então ejacular e, por isso, a estimulação do clitóris é muito importante, pois a deixará devidamente excitada para que sua próstata inche e fique mais sensível ao toque e, consequentemente, perto de ejacular. Além da questão de poucas mulheres gozarem apenas com a estimulação vaginal.

A ejaculação ocorre quando há contração dos músculos pélvicos - pubococcígeo - o que ocorre quando se tem um orgasmo vaginal, por isso é difícil de se ejacular apenas com estimulação clitoriana, mas há liberação do líquido prostático de qualquer forma, no esquema já mencionado, ou escorre para fora da uretra ou para dentro da bexiga.

É normal a sensação como se fosse urinar quando se está perto de ejacular, pois o líquido se encontra na uretra, mesmo canal pelo qual sai a urina, mas não sairá urina, como já citado, pois os movimentos do músculo pubococcígeo são diferentes em ambos os casos.


Como estimular a próstata feminina


Agora que já se sabe sobre a próstata feminina, onde ela está localizada e como ocorre a ejaculação feminina, vamos querer saber como estimulá-la, não é mesmo?

A forma não é diferente da estimulação do ponto G. Primeiro deve-se estar num local tranquilo e a mulher deve decidir se quer experimentar primeiro sozinha ou com ajuda do parceiro, e também se quer explorar a região com os dedos ou com um vibrador (dildo).

Depois, ela deve se estimular através do clitóris para que a região fique inchada e seja mais fácil de se achar a próstata e, a seguir, deve ser introduzido o(s) dedo(s) ou vibrador até achar uma região sensível e saliente e, então, estimular essa região, como lhe convir, até ter o orgasmo.

Lembre-se que o clitóris deverá ser estimulado ao mesmo tempo, pois é mais fácil de se chegar ao orgasmo – quando não a única maneira para algumas mulheres.

Ainda que não se ejacule, a experiência será prazeroza, portanto, não há nada a se perder ao tentar e, caso não consiga na primeira vez que tentar, tente de novo, é sempre bom gozar, certo?


Ejaculando – Vídeo Explicativo (proibido para menores de 18 anos)

Deixo um vídeo que um leitor me enviou quando conversávamos sobre a ejaculação feminina. Nele, mostra na prática o que está aqui, é bem explicativo, então deixo-o para vocês, porém, devo avisar que se trata de nudez e situação sexual explícita e, por isso, não é indicado aos menores de 18 anos e não o veja se estiver em local público, como trabalho, faculdade, etc. Estão avisados.

http://www.redtube.com/15878

Atualização em 06/12

Essa atualização é para falar sobre o vídeo, como pediu Torresmaximus  em seu comentário, e também por algumas perguntas que me fizeram a respeito do vídeo. Não vou traduzir as falas e sim resumir o que acontece no vídeo, caso alguém tenha traduzido todo o vídeo ou tenha ele legendado, ficarei muito grata se me enviar para que eu divulgue aqui.

O rapaz está ensinando como levar sua parceira a ter orgasmos intensos e conseguir ejacular, ele comenta que pode levar semanas ou meses para conseguir uma ejaculação explorando todos os pontos – provavelmente para achar o que a levará a ejaculação, e que a mulher tem que ter senso de humor – provavelmente para “aguentar” todas as possíveis tentativas frustradas, e que o casal estará conectado. Explica que deve-se usar bastante óleo na mão e usar os dois dedos, médio e anelar, e colocar metade deles dentro da vagina e puxá-los para cima, os dedos mindinho e indicador devem servir como apoio, e deve-se por a outra mão sobre a púbis, apenas para apoio e controle. O movimento dos dedos é para cima e para baixo, e não entra e sai.

Vocês devem ter reparado que o rapaz para algumas vezes quando ela tem fortes espasmos, mas ela não chegou a ejacular e então ele prosseguiu e disse que estava perto, até que ela teve um intenso orgasmo e ejaculou.

A reação dela é normal, mas nem todas as mulheres reagem assim ao orgasmo, porém, quanto mais intenso for o orgasmo, mais espasmos involuntários se tem pelo corpo todo e menos controle sobre o corpo se tem, e ele mostrar o rosto dela é para que observássemos como ela ficou “feliz” por causa do orgasmo, e é verdade, com o orgasmo e a ejaculação é liberado a serotonina – que causa a sensação de prazer e bem estar, então, com “altas doses” seguidas liberadas, a mulher fica feliz, relaxada, e o corpo trêmulo dela é por causa dos intensos espasmos provados pelos intensos orgasmos. Ou seja, é normal perdermos a noção do que está ao nosso redor, não termos controle sobre o corpo e ficarmos com espasmos depois de um intenso orgasmo.

A duração também é normal, uma mulher pode gozar por 105 segundos, e os jatos liberados também, percebam que o primeiro foi muito pouco e nos seguintes, quando mais excitada ela estava, aumentou a quantidade do líquido. Acredito que ela já estava excitada antes dele colocar os dedos, pois precisou de pouco tempo para que ela gozasse, provavelmente ela estava excitada e por isso foi fácil achar o ponto, que fica mais saliente quando a mulher está excitada, e levá-la ao orgasmo.

Tem uma parte que ele fala que ela estava perdendo muito líquido, suor e ejaculação, e que era preciso que tomasse água, ou um gatorade da vida, para repor líquido e energia. Ele fala o que tinha no líquido que deu a ela, mas não lembro agora.

No final ela fala que está com vontade de fazer xixi, e ele fala algo como “vejam, ela quer fazer xixi agora, ela sabe a diferença” isso para mostrar que a ejaculação não tem nada a ver com a urina, pois se ela já tivesse urinado ao invés de ejacular, não estaria com vontade de urinar ainda.

E é basicamente isso, espero que tenha sido elucidador.


Adendo

As atrizes de filmes pornográficos que ejaculam abundantemente e sequencialmente forjam a ejaculação. Elas, comumente, ou urinam ou eliminam líquidos previamente injetados na vagina e dizem que é ejaculação. Por isso, curtam os filmes, mas lembrem-se que é de mentira.


Considerações Finais

Agradecimentos ao Thiago (vídeo), à Fernanda (dúvidas)  e ao Pietro (ajuda com tradução) que contribuíram para que esse artigo fosse feito.

Referências

Femina em francês

Sexo Conseil em francês

The Clitoris em inglês

Arquivo em PDF sobre a Próstata Feminina em espanhol

OBS. Eu esqueci de comentar algo… Devido as paredes serem “coladas” que algumas mulheres sexualmente ativas têm infecção urinária – segundo os médicos e, por isso, os médicos recomendam que as mulheres urinem antes e depois das relações sexuais.
Sem muitos detalhes para dar sobre isso, mas achei importante deixar o recado.

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