Cantinho da Éris

Blog com temas variados e atuais.

Vamos fazer ruído virtual!

Publicado por Daniela em Novembro 12, 2009

Os blogs Vagón-bar e La Huella Digital e a ONG Save The Children já iniciaram a contagem dos dias para o 20 de novembro, dia universal das crianças e, agora, também da Campanha Contra a Pornografia Infantil na Internet.

A campanha teve início ano passado pelos blogs citados acima e, devido ao grande sucesso – mais de 1.115 blogs e sites de todos os continentes se uniram à campanha, vão repetí-la este ano com a ajuda da ONG Save The Children.

O objetivo da campanha é encher a web de artigos com opiniões dos internautas contra a pornografia infantil – criticiando os depravados sexuais, intitulados de <<Pornografia Infantil Não>> e colocar tags que, comumente, os predadores virtuais desse material usam para achar pornografia infantil e, assim, acharem esses artigos e saberem que estamos de olho e o que achamos deles. Eis os termos usados na busca:  ”angels”,  ”lolitas”, “boylover”, “preteens”, “girllover”, “childlover”, “pedoboy”, “boyboy”, “fetishboy” ou “feet boy”.

Como ajudar?

Divulgue a campanha em seu blog, site, twitter, ou envie por e-mail para seus conhecidos, e no dia 20 de novembro de 2009 escreva um artigo com o título Pornografia Infantil Não! e coloque os termos acima nas tags, assim faremos bastante barulho.

Veja o vídeo da Campanha.

Não deixe de participar, nem que seja apenas divulgando!

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Brinquedo Sexual Delight

Publicado por Daniela em Novembro 10, 2009

Delight com capa

Chegou ao mercado – internacional, aqui ainda não tem – um novo brinquedo para as mulheres que está fazendo sucesso. É um vibrador – dildo – em forma de S, que estimula o clitóris e o ponto G ao mesmo tempo. Possui três modos de vibração e oito intensidades (será que alguém lembra disso na hora?) e não precisa de pilhas, ele recarrega no próprio estojo. Ah! E ainda tem regulagem – sabe como é, nós, mulheres, não somos todas iguais como dizem – cada vagina tem um tamanho diferente e para que o ponto G seja estimulado acertadamente, você tem que regular o tamanho.

A única parte chata da história é que o produto ainda não está a venda no Brasil, mas podemos encomendá-lo em sites/importadoras.

O preço está em torno de US$200,00 (duzentos dólares).

Vibrador Delight

Um ótimo presente de natal, né, não?!

Mais informações aqui.

Lembrem-se que é de uso pessoal, íntimo,  e que após utilização recomenda-se lavagem, mas não é para por debaixo da torneira, ele vem com as recomendações.

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Uniban… Mais uma a protestar!

Publicado por Daniela em Novembro 9, 2009

Escrever sobre o caso da expulsão da aluna Geisy da Uniban é repetir o que todos já falaram – um absurdo de intolerância e discriminação – contra a mulher – sem tamanho como nunca visto em nosso país, então, para não repetir o mesmo do mesmo vou quotar dois textos que expressam bem o que sinto/penso a respeito do tema. O primeiro é um texto brilhante de Salvadori do blog Boteco Sujo, que traz uma tradução da nota da Uniban expulsando a aluna. O segundo, é do Observatório da Impresa, também brilhante, e que nos faz refletir sobre a razão de algumas pessoas defenderem a atitude da Universidade.

Vale muito a pena ler!

Para quem não quer clicar em links, deixo os textos na íntegra.

O primeiro – Uniban traduzida por Salvadori

Como uma universidade conservadora contemporânea, a Uniban se exprime numa linguagem própria, que nem todos podem compreender com facilidade. O Boteco Sujo resolveu dar uma força e vai traduzir os trechos mais obscuros do anúncio em que a universidade comunicaa expulsão da aluna Geisy Arruda, condenada pelo crime de ser xingada de “puta, puta” por uma multidão enfurecida. Aí vai, do unibanquês para o português coloquial:

“A educação se faz com atitude e não complacência”No dicionário da Uniban, atitude é o que a universidade adota quando expulsa uma estudante agredida e complacência é quando livra a cara de centenas de alunos que a agrediram.

“A sindicância apurou que, no dia da ocorrência dos fatos, a aluna fez um percurso maior que o habitual aumentando sua exposição e ensejando, de forma, explícita, os apelos dos alunos que se manifestavam em relação à sua postura, chegando, inclusive, a posar para fotos. Novamente, a aluna optou por um percurso maior ao se dirigir ao toalete, o que alimentou a curiosidade e o interesse de mais alunos e alunas, tendo início, então, uma aglomeração em frente ao local.”A Uniban entende que um corpo feminino é a fonte de todo mal e, portanto, deve ser restringido ao máximo. Seu raio de movimentação deve ser restrito (nunca fazer percursos maiores do que o habitual!) para não aumentar sua exposição e fotos de tais indedências devem ser terminantemente proibidas.

“Depoimentos de colegas indicam que, no interior do toalete feminino, a aluna se negou a complementar sua vestimentapara desfazer o clima que havia criado.”Complementar a vestimenta = adequar a indumentária da aluna aos padrões contemporâneos. Contemporâneos aos do Afeganistão nas regiões pró-Taleban, é claro.

“Foi constatado que a atitude provocativa da aluna, no dia 22 de outubro, buscou chamar a atenção para si por conta de gestos e modos de se expressar, o que resultou numa reação coletiva dedefesa do ambiente escolar.”
Cuidado para um erro comum. Em unibanquês, defesa do ambiente escolar não signfica, por exemplo, lutar contra a direção de uma universidade que mantém cursos não reconhecidos pelo MEC, Defesa do ambiente escolar significa filmar as coxas de uma loira com o celular, ameaçá-la de estupro e gritar “PUTA, PUTA” a plenos pulmões, dentro o ambiente esperado de uma universidade como a Uniban.

“Nesse sentido, cabe aqui registrar o estranhamento da UNIBAN diante do comportamento da mídia que, uma vez mais, perde a oportunidade de contribuir para um debate sério e equilibrado sobre temas fundamentais como ética, juventude e universidade.”
Estranhamento diante do comportamento da mídia = não entender por que é que não puxaram nosso saco e divulgaram só o que a nossa tão bem treinada assessoria de imprensa tinha a dizer?
ética = dinheiro
juventude = dinheiro
universidade = dinheiro

“Para tanto, convida seus alunos e alunas, professores, funcionários, a comunidade e a mídia para um ciclo de seminários sobre cidadania em data a ser oportunamente informada.”E vejam algumas das palestras deste ciclo de seminários:
Mahmoud Ahmadinejad e Avigdor Lieberman - Respeito à diversidade
Hugo Chávez e Roberto Micheletti - Liberdade de expressão
José Sarney e Yeda Crusius - Ética na política
Eduardo Azeredo e Daniela Cicarelli - Liberdade de expressão na era digital

Falando nisso, aliás, é bom dar uma olhada em alguns comentáriosque os gringos fizeram sobre o caso Geisy no site Huffington Post. Cito alguns:

Wow, had to check that this wasn’t in a midwest school or in Colorado or something. Guess hypocrisy has no national borders.

What a bunch of women-hating HYPOCRITES.

Brazil…..isn’t that where they run around naked at the beach? Didn’t know they were such prudes.

Seems like the Republicans migrated south.

On a scale of stupid ragning from 1 to 10, with ten being the stupidest, these Brazilians certainly rate a 10.

Logo os americanos, tido como tão conservadores, parecem ter mais juízo do que a gente.

E, para quem ficou indignado com o caso Geisy, o programa de hoje é o seguinte: Protesto em frente à Uniban, na Avendida Dr Rudge Ramos,1701, em Sao Bernardo Do Campo (SP), a partir das 18h. Vá e, se for mulher, não esqueça de vestir sua minissaia. Rosa choque, de preferência.

Veja mais detalhes aqui e assine o abaixo-assinado.

O segundo – A culpada é a vítima por Lígia Martins.

A culpada é a vítima

Por Ligia Martins de Almeida em 8/11/2009

Quando parecia que as mulheres vítimas de violência não seriam mais tratadas como culpadas – como ocorreu quando Doca Street matou a socialite Ângela Diniz – acontece o caso de Geisy Arruda, a estudante da Uniban, em São Paulo. A universitária foi expulsa da escola porque “buscou chamar atenção para si por conta de gestos e modos de se expressar, o que resultou numa ação coletiva de defesa do ambiente escolar”, conforme expresso no comunicado da Uniban com o título “A educação se faz com atitude e não com complacência”, publicado nos jornais paulistas no domingo (8/11) [ver abaixo a íntegra do comunicado e a nota da União Nacional dos Estudantes sobre o episódio].

Os agressores – apenas seis estudantes e um funcionário foram identificados (embora mais de 600 tenham participado do tumulto) – foram suspensos temporariamente. Eles, ao contrário da moça, não foram acusados de “flagrante desrespeito aos princípios éticos, à dignidade acadêmica e à moralidade”, ainda segundo o comunicado oficial.

No seu manifesto, a Uniban condena a moça e acaba encontrando mais um culpado. Quem? A mídia:

“A Uniban reafirma seu compromisso com a responsabilidade social e a promoção dos valores que regem uma instituição de ensino superior, expressando sua posição de apoio aos seus 60 mil alunos injustamente aviltados. Nesse sentido, cabe aqui registrar o estranhamento da Uniban diante do comportamento da mídia, que, uma vez mais, perde a oportunidade de contribuir para um debate sério e equilibrado sobre temas fundamentais como ética, juventude e universidade”.

Pauta urgente

A mídia pode ser culpada por ter demorado a divulgar a história ou de perder a oportunidade de fazer uma longa matéria com esses estudantes que se transformaram numa turba disposta a massacrar a moça só porque ela usava um vestido curto. Mas, neste caso, a imprensa fez sua parte: divulgou a história, ouviu a vítima e, depois da decisão da Uniban, divulgou a repercussão do fato com educadores e entidades de defesa da mulher, que foram unânimes em condenar a atitude da universidade.

A Folha de S.Paulo ouviu também alguns universitários. Dos nove jovens entrevistados, só dois foram a favor da decisão de expulsar a moça, argumentado:

“Há locais e locais onde a gente pode usar certas roupas. Então, acho que a expulsão se justifica. A menina abusou.” (Vestibulanda de 25 anos)

“É radical, mas tem que expulsar mesmo. Aquilo não é roupa para ir à aula. É um ambiente de respeito.” (Vestibulanda de 23 anos).

Se os favoráveis à expulsão são em pequeno número, ainda assim merecem um estudo. Afinal, os agressores da moça na escola também eram minoria. O que esse episódio revela é o sintoma de alguma doença da sociedade que merece ser estudado. O que está acontecendo com os jovens para que eles se sintam tão agredidos pela colega que usa roupas curtas ou “provocantes”, na opinião escola? Por que, ao se sentirem “ofendidos”, esses mesmos jovens partem para uma atitude agressiva? Por que uma instituição universitária condena a vítima e premia os agressores com uma suspensão temporária?

Dizer que a agressão a uma jovem que usa roupas curtas é “defesa do ambiente escolar” abre um precedente perigosíssimo. Se a roupa curta incomoda a alguns, as preferências sexuais incomodam a outros, assim como a cor da pele ou a obesidade podem ser considerados inconvenientes – como mostra a matéria “A vida muito acima da média” (Veja nº 2138, de 11/11/2009).

O que a mídia precisa discutir, e com urgência, é o que este episódio tem de mais revelador – a volta da intolerância. Intolerância que abre caminho para comportamentos agressivos, censura, autoritarismo e todas as suas consequências.

Não postarei a nota da Uniban – como dito pela Lígia – porque o Salvadori já a mostrou, como observado acima.

Notem que no final do texto de Salvadori – primeiro texto – há um link para um abaixo-assinado e outro a respeito do protesto, ambos contra a expulsão da aluna. Por favor, cliquem e participem, se puderem. Obrigada.

O que a mídia precisa discutir, e com urgência, é o que este episódio tem de mais revelador – a volta da intolerância. Intolerância que abre caminho para comportamentos agressivos, censura, autoritarismo e todas as suas consequências.

Importante.

Aproveitem para ler e assinar o manifesto em defesa da liberdade e da autonomia das mulheres, mais informações e o manifesto você encontra no blog Sexismo na Política.

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Cabelos encaracolados?! Eca!!!

Publicado por Daniela em Outubro 14, 2009

Minha mãe e minha irmã têm os cabelos encaracolados.  Sabe aqueles que falamos “puxa- estica, solta-enrola”? Então, eles são assim e elas detestam. Já os meus são indefinidos, às vezes mais lisos, às vezes mais cacheados, tudo isso porque na raiz são lisos e depois vão formando os cachos que, dependendo do dia, estão mais ou menos definidos. Eu prefiro quando estão mais cacheados, acho que são mais graciosos, dão um charme, emolduram o rosto. Tento deixá-los volumosos, soltos e com cachos, mas sem usar produtos químicos e passar horas em salão fazendo babyliss. Um corte certo e uma hidratação feita em casa já resolvem. Mas ainda que meus cabelos sejam indefinidos, eles causam espanto em algumas pessoas que não compreendem o porquê da minha vontade em deixá-los mais cacheados e não mais lisos.

cacheadosAcontece que cabelos lisos, cacheados ou crespos, todos têm seu charme, e um pode combinar mais com nosso rosto do que o outro. Realmente os cabelos podem fazer diferença, te deixar mais bonita, ou menos bonita, desde que seja para você, a dona do corpo e dos cabelos.

Porém, a maioria das pessoas não pensa assim, a sociedade há algum tempo dita que cabelos bonitos são os lisos, e somente eles. Se você não tiver madeixas que permaneçam imóveis na cabeça, sem um fio fora do lugar, não é uma pessoa que se cuida, deve ser preguiçosa por causa desse desleixo, ou não é bonita por causa desse defeito: cabelos cacheados, pior se forem volumoso, e se forem crespos então… peça para nascer de novo.

Por que estou falando de cabelos? Bom, recentemente surgiram discussões valorizando os cachosrevendo essa obrigação de mudarmos nossas madeixas para lisos ou pelo menos deixá-las arrumadas e sem volume, numa obrigação de mostrar que pelo menos nos penteamos do contrário somos desleixadas e nada mulher, pois mulher que é mulher se preocupa com o que os outros vão pensar dos cabelos dela, se ela for uma mulher inteligente, culta, elegante e diversos outros adjetivos, os cabelos provarão isso. Ou não.

As discussões surgiram quando algumas artistas retomaram seus cabelos naturais. Taís AraújoMariah Carey são apenas dois exemplos que recordo no momento, e as achei lindas com seus cachos. No entanto, algumas pessoas criticaram os cabelos cacheados delas, a Mariah, inclusive, teve seus cabelos citados como vítima de ataque por um cachorro da raça poodle e, recentemente, li um artigo que me deixou com vontade de escrever sobre cabelos e mais cabelos. Simplesmente algumas pessoas estão incomodadas porque Angelina Jolie permite que sua filha Zahara, de quatro anos, ande pelas ruas com seus cabelos naturais: crespos. O problema, de acordo com essas pessoas, é que parece que nem foram penteados, está horroroso e dessa forma não valorizam a beleza da menina. Infelizmente essas pessoas falam sério, elas acreditam que beleza está associada a uma aparência rigorosamente ditada pela moda e nisso está incluído a maneira como tratamos e deixamos nossos cabelos, e não importa a idade da mulher, se nasceu com vagina, tem que cuidar da aparência com muito zelo desde cedo, pois ela estará associada ao caráter.

Eu devo ser uma aberração por achar os cabelos da Vanessa davanessaMata bonitos, e ela deve ser, no mínimo, louca por deixá-los assim, tão crespos, armados e volumosos. Por que ela ainda não foi internada num manicômio?!

patriciaOutro exemplo de famosa que sempre assumiu seus cabelos cacheados lindos é a Patrícia Pillar, que até com cabelos curtos fica charmosa. Então podem parar com essa ditadura de cabelo liso. Pois determinar caráter ou beleza através de padrões é ditadura.

E o pior, se já não bastasse que, quando adultas, tenhamos que “seguir” rigorosos rituais para chegarmos perto dos padrões de beleza determinados (entra tudo: cabelos, sobrancelhas – todos os pêlos na verdade, olhos, boca, nariz, pescoço, braços, mãos, unhas, seios, cintura, abdômen, vagina – o que? ela tem que ter cheiro de rosas e ser bem pequenina e engraçadinha, ora! – pernas, e até os tornozelos e os pés, todos têm formas padrões certas e isso sem falar que não se pode comer demais e tem que ser branca), as adolescentes, que deveriam estar preocupadas em entender as transformações que seus corpos estão passando, devem se preocupar também com seus cabelos – pois pode ser que não sejam aceitas e/ou paqueradas por causa deles, e agora ainda temos um número significante de pessoas que determinaram ser um absurdo uma menina de quatro anos andar por aí com seus cabelos crespos horrorosos sem pudor algum, e pior, sua mãe permitir – nem parece que é filha de uma mulher famosa!

Pois é, se você não teve a sorte de nascer com cabelos lisos, que pelo menos tenha a decência de alisá-los ou domá-los, pois o contrário significará que você é uma desleixada e pobre coitada, além de não ser nada elegante.

Agora vejam, além do racismo nessas cacholas, percebemos como são elitistas, pois para se ter os cabelos da forma que consideram decentes, é necessário um bom dinheiro, para deixá-los assim e mantê-los, ou seja, morra de fome, mas deixe seus cabelos lisos ou nem saia de casa, querida, quem mandou nascer negra e/ou pobre? Eu não duvido nada que pensem com essas palavras mesmo.

Foi por comentários e pensamentos medíocres que resolvi sair de minha vida em off e lhes escrever sobre cabelos. Acho que escrever trinta vezes a palavra cabelos num texto é um bom número, talvez chame a atenção de alguém, então posso voltar para meus afazeres, mas antes gostaria de pedir às pessoas de cabelos cacheados, encaracolados, crespos, sarará e afins, que não entrem nessa ditadura da beleza e deixem seus cabelos do jeito que são, pois são lindos também.

Assumam seus cachos, meninas!

Afinal, a maioria das mulheres brasileiras possui cabelos naturalmente encaracolados.

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Boicote mesmo!

Publicado por Daniela em Setembro 1, 2009

Num país machista como o nosso, em que foi preciso criar-se uma lei para proteger as mulheres contra a violência dos homens (MARIA DA PENHA), como uma organização promove imagens que sugerem submissão e violência com mulheres?!
Participem da campanha para boicotar a marca TRITON, e saiba mais sobre a lamentável propaganda.

Aproveito e deixo um texto da blogueira Denise do blog Síndrome de Estocolmo.

Apesar de acontecer a toda hora, em todo o país, somente de vez em quando, um caso de mulher morta pelo marido ou namorado e vira assunto. Aí é matéria na Globo e a sociedade se emociona e se revolta, depois esquece.

Quanto mais machista e falocrático, o país, maior a banalização da violência contra mulher. O Brasil tem avançado em tantas coisas, mas minha impressão, aqui de fora, é que a situação da mulher não muda nada ou até piora.

Essas fotos acima são da nova campanha de primavera-verão da marca Triton. Elas seriam impensáveis em muitos países que já passaram por um processo de discussão sobre o impacto da mídia na sociedade. Agora me digam, porque cargas d’água a gente tem de aceitar que uma empresa ganhe dinheiro às custas da glamurização da violência e assassinato de mulheres?

Quando eu falo tanto, aqui no blog, sobre essas campanhas publicitárias, não é somente porque as imagens de mulheres sendo agredidas fisicamente “não me agradam”. Não é porque eu “não consigo separar a ficção da realidade” ou porque eu quero censurar a “enorme criatividade” dos nossos premiados publicitários.

O fato é que ninguém sai impune desse bombardeio de imagens degradantes, da mulher sempre vista como parte mais fraca, vítima, submissa ao garanhão, dono do poder de vida e morte. Há poucos dias, a socióloga Luzia Azevedo, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) defendeu que a maioria dos crimes contra a mulher estão relacionados ao sexismo, mesmo quando não são registrados dessa forma.

E não me digam que é “somente uma propaganda”, não. No estudo Images of women in advertisements: Effects on attitudes related to sexual aggression, de Katherine Covell e Kyra Lanis, por exemplo, demonstraram que homens expostos a propagandas nas quais as mulheres eram usadas como objeto sexual,  posteriormente, eram mais tolerantes e apoiavam atitudes relacionadas à violência sexual. Enquanto que mulheres expostas a imagens de mulheres em uma postura mais forte  se mostraram menos tolerantes a essas situações.

Eu não sou cliente da Triton, mas se fosse, deixaria de compra lá, agora. Basta, né?

Vamos escrever para o CONAR, que é o conselho “auto-regulamentador” da publicidade denunciando o abuso dessas fotos acima?  No site do Conar, tem um link (logo abaixo do banner) para reclamações. Quanto mais pessoas escreverem, mais fácil de sermos ouvidas. Por favor, divulguem esse absurdo em seus blogs, Facebook, Orkut e listas de discussão,

Também podemos demonstrar nossa indignação direto à  Triton. Não achei email no site deles, mas tem um Blog onde podemos deixar algum comentário. E, quem tem conta no Twitter, pode postar sobre isso, colocando o  id deles: @tritonlovers.

Não dá pra fazer de conta que isso aí “não tem nada demais”, né ?!

Já não basta o sexismo político, ainda temos que aturar propagandas como essa… Lamentável, Brasil.

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